Receber um "não" do INSS para o seu salário-maternidade é um balde de água fria. Se você teve o salário maternidade indeferido, saiba que essa decisão quase nunca é o fim da linha. Na maioria das vezes, a negativa vem por detalhes que podemos corrigir, como um erro no cadastro, a falta de um documento ou a perda da famosa "qualidade de segurada" bem na reta final.
Entender o porquê da recusa é o primeiro passo para virar o jogo. Este guia vai te mostrar o caminho para contestar a decisão e garantir seu direito.
Acesso Rápido
- 1 Desvendando os motivos do salário maternidade indeferido
- 2 Como preparar o seu recurso administrativo no INSS
- 3 Quando a solução para o salário maternidade indeferido é a justiça
- 4 A documentação que pode reverter o indeferimento
- 5 Direitos das seguradas especiais e trabalhadoras rurais
- 6 Perguntas frequentes sobre salário-maternidade indeferido
- 7 Conclusão: Não Desista do Seu Direito
Desvendando os motivos do salário maternidade indeferido
Quando o INSS nega o pedido, o desânimo é a primeira reação. É normal. Mas é crucial entender que o sistema da Previdência é burocrático e segue regras muito rígidas. Qualquer detalhe fora do lugar pode travar tudo. Superar essa barreira inicial significa investigar exatamente onde o processo falhou.
Os motivos vão desde erros simples, que se resolvem fácil, até questões mais complexas, ligadas ao seu histórico de contribuições. Identificar a razão exata que o INSS apontou é o ponto de partida para montar uma defesa forte, seja no próprio INSS, com um recurso, ou na Justiça.
Falhas no cadastro e documentos faltando
Um dos campeões de indeferimento é a inconsistência de dados. Parece bobagem, mas um nome de solteira em um documento e de casada em outro, um endereço antigo no seu CNIS (o extrato da Previdência) ou até um erro de digitação já são o suficiente para o sistema barrar seu pedido.
A falta de documentos importantes ou a entrega de cópias ilegíveis também é um problema clássico. Nesses casos, o INSS costuma enviar uma "carta de exigência", pedindo para você corrigir a pendência. Perder o prazo dessa exigência significa indeferimento automático.
A complexa questão da qualidade de segurada
A "qualidade de segurada" é o que te mantém coberta pela Previdência Social. Para ter direito ao salário-maternidade, você precisa estar com essa qualidade em dia na data do parto, da adoção ou da guarda. Simples assim.
Você perde essa condição quando para de contribuir para o INSS por um tempo. Esse prazo, que chamamos de período de graça, costuma ser de 12 meses após a última contribuição, mas pode aumentar se você comprovar que estava desempregada, por exemplo. Muitas mulheres têm o benefício negado por não saberem que esse prazo já passou.
Uma dica de ouro: Mesmo que você estivesse trabalhando sem carteira assinada, é totalmente possível comprovar esse vínculo para recuperar sua qualidade de segurada. Guarde tudo: conversas de WhatsApp, recibos de pagamento, e-mails e, claro, o contato de testemunhas. Isso vale ouro.
Antes de prosseguir, vale a pena organizar as ideias. Preparei uma tabela rápida com os problemas mais comuns e como você pode se antecipar a eles.
Principais motivos de indeferimento e como evitá-los
Esta tabela resume as causas mais comuns para a negativa do benefício e dá dicas práticas para evitar dor de cabeça.
| Motivo comum do indeferimento | O que significa na prática | Dica para evitar o problema |
|---|---|---|
| Perda da qualidade de segurada | Você parou de contribuir há muito tempo e o "período de graça" acabou antes do parto ou adoção. | Monitore seu CNIS e, se estiver desempregada, guarde provas do recebimento do seguro-desemprego para estender o período. |
| Dados cadastrais inconsistentes | Seu nome, CPF ou endereço no cadastro do INSS estão diferentes dos seus documentos oficiais. | Antes de pedir o benefício, acesse o Meu INSS e faça uma "Atualização de Dados Cadrais". É rápido e online. |
| Falta de carência mínima | Para algumas seguradas (como a contribuinte individual), é exigido um número mínimo de 10 contribuições antes do parto. | Planeje as contribuições com antecedência, especialmente se for autônoma ou MEI. Não deixe para a última hora. |
| Documentação incompleta ou ilegível | Faltou a certidão de nascimento da criança, um documento de identidade ou as cópias enviadas estavam ruins. | Digitalize os documentos com um scanner ou um bom aplicativo de celular. Confira um por um antes de anexar no portal. |
| Vínculos de trabalho não registrados | Um emprego que você teve não aparece no seu CNIS, e o INSS não o considerou para a contagem do tempo. | Peça a inclusão do vínculo no Meu INSS, apresentando a carteira de trabalho, contracheques ou o termo de rescisão. |
Entender esses pontos já te coloca vários passos à frente. A maioria dos indeferimentos se encaixa em uma dessas categorias e, com a orientação certa, são reversíveis.
Erros de análise do próprio INSS
E se o erro não for seu? Pois é, acontece. E muito. Falhas dos próprios servidores do INSS, sistemas desatualizados e interpretações erradas da lei também causam negativas totalmente injustas.
Um caso que ficou famoso em Minas Gerais ilustra isso perfeitamente: uma mulher teve o pedido negado porque o sistema confundiu os dados dela com os da irmã gêmea. Parece coisa de novela, mas é real e mostra como é importante conferir tudo e, se preciso, recorrer. Você pode ler mais sobre como esses erros cadastrais afetam os pedidos nesta reportagem do G1.
Outras situações que podem levar a um erro do INSS incluem:
- Falta de carência: O analista exige o mínimo de contribuições para uma categoria que, por decisão do STF, já não precisa mais cumprir esse requisito.
- Vínculos não computados: Você envia os documentos para provar um período trabalhado, mas o servidor simplesmente ignora e não inclui no cálculo.
- Atividade rural não comprovada: Dificuldade em apresentar documentos que demonstrem o trabalho no campo para seguradas especiais, muitas vezes por pura falta de conhecimento do servidor sobre a realidade rural.
Quando receber a carta de indeferimento, respire fundo e leia com atenção o motivo que eles apresentaram. Ali está a chave para que você e seu advogado montem a melhor estratégia para garantir o seu direito.
Como preparar o seu recurso administrativo no INSS
Receber um "não" do INSS para o seu salário-maternidade é um balde de água fria, mas a boa notícia é que o primeiro passo para virar o jogo acontece dentro do próprio órgão. É o chamado recurso administrativo, a sua chance de apresentar o caso novamente, corrigindo o que deu errado da primeira vez. Agir rápido e com organização aqui é tudo.
Você tem um prazo de 30 dias, contados a partir do dia em que soube da decisão, para entrar com a sua defesa. Perder esse prazo é praticamente aceitar a negativa e, na maioria das vezes, te força a começar tudo do zero na Justiça. Então, o tempo é seu inimigo.
O processo que leva a um salário-maternidade indeferido pode ser frustrante. Muitas vezes, a negativa acontece por detalhes que poderiam ter sido evitados.
Como o fluxo acima mostra, uma falha em qualquer etapa inicial pode levar direto à recusa, o que só reforça a necessidade de um recurso muito bem montado.
O passo a passo para protocolar o seu recurso
O processo de recurso é 100% online, feito pelo site ou aplicativo Meu INSS. Embora o sistema seja relativamente simples, cada campo preenchido e cada documento anexado fazem uma enorme diferença para que seu pedido seja reavaliado de forma justa.
Primeiro, faça o login no Meu INSS com sua conta gov.br. Na página inicial, clique em "Novo Pedido". Na barra de busca, digite "Recurso" e escolha a opção "Recurso Ordinário (1ª instância)". O sistema vai solicitar o número do benefício que foi negado.
Dica de ouro: Vai aparecer um campo chamado "Razões do Recurso". Esse é o coração da sua defesa. Não basta escrever "não concordo com a decisão". Você precisa explicar, de forma clara e direta, por que o INSS errou. Aponte os fatos e os documentos que provam o seu direito.
Como construir uma argumentação que funciona
Um argumento bem construído é o que vai convencer o analista da Junta de Recursos da Previdência Social (JRPS) de que a decisão inicial estava errada. Sua defesa precisa ter lógica e, mais importante, provas.
Ataque o motivo exato da negativa. Pense assim:
- Foi por falta de qualidade de segurada? Junte provas de vínculos de trabalho que não estavam na carteira, como prints de WhatsApp com o chefe, recibos de pagamento ou até mesmo o comprovante de recebimento do seguro-desemprego, que estende sua proteção.
- Faltou algum documento? Agora é a hora de anexar o que ficou faltando. Certifique-se de que tudo está legível e completo, sem cortes.
- Alegaram falta de carência? Em alguns casos específicos, a Justiça já flexibilizou essa exigência. Vale a pena argumentar nesse sentido, explicando a sua situação particular e, se possível, citando decisões favoráveis.
Organize suas ideias. Comece reafirmando que você tem direito ao benefício, depois apresente as provas que sustentam seu argumento e, no final, peça de forma clara que a decisão seja revista e o salário-maternidade concedido. A clareza pode ser o fator decisivo para reverter um salário-maternidade indeferido.
Quando a solução para o salário maternidade indeferido é a justiça
Se você já esgotou a via administrativa e mesmo assim o INSS bateu o martelo e manteve o "não" para o seu pedido, eu sei que a vontade é desanimar. Mas calma, este não é o fim da linha. Pelo contrário, é aqui que um novo caminho se abre: a via judicial.
Levar o caso para a justiça pode soar como algo complicado e demorado, mas a realidade é que ela existe justamente para isso: corrigir decisões equivocadas do poder público. Um salário maternidade indeferido pelo INSS não é uma sentença final. É apenas o sinal de que agora um juiz, de forma imparcial, vai analisar suas provas e a lei para garantir o seu direito.

Entendendo a ação previdenciária comum
A Ação Previdenciária Comum é a rota mais tradicional e completa para contestar a negativa do INSS. Basicamente, você inicia um processo no Juizado Especial Federal (JEF) para que um juiz reavalie todo o seu pedido do zero, sem se prender à análise anterior do INSS.
Essa é a escolha perfeita para casos que precisam de mais provas. Digamos que o INSS negou seu benefício alegando falta de qualidade de segurada. Na ação judicial, a história é outra. Você pode não só juntar todos os documentos que tiver, mas também pedir uma audiência para levar testemunhas que confirmem seu trabalho. Isso faz toda a diferença.
O Juizado Especial Federal foi criado para ser mais rápido e acessível. Para causas de até 60 salários mínimos — o que abrange a grande maioria dos casos de salário-maternidade —, o processo é simplificado e você não precisa pagar custas judiciais para começar.
O mandado de segurança como uma carta na manga
Existe também outra ferramenta jurídica muito poderosa e, principalmente, mais rápida: o Mandado de Segurança. A lógica aqui é diferente. Ele não serve para discutir se você tem ou não o direito ao benefício em si, mas para atacar uma ilegalidade óbvia cometida pelo INSS.
Pense em situações claras. Você protocolou tudo certinho e o INSS simplesmente ignorou o prazo legal de 90 dias para dar uma resposta. Ou, um cenário clássico: seu pedido foi negado porque o INSS exigiu carência, algo que o Supremo Tribunal Federal (STF) já declarou inconstitucional para seguradas desempregadas.
Nesses casos, o Mandado de Segurança é o caminho, pois o objetivo é forçar o INSS a cumprir a lei imediatamente. Ele exige um "direito líquido e certo", ou seja, uma prova tão clara que não deixa espaço para discussão. A grande vantagem é a agilidade, mas ele não permite produzir novas provas, como chamar testemunhas.
Muitos benefícios são negados por motivos que a justiça já superou. Apesar das regras claras, o INSS ainda indefere pedidos exigindo carência, uma prática já derrubada pelo STF. Isso mostra o quanto a via judicial é essencial para corrigir essas falhas do sistema. Se quiser entender melhor como lutar contra esse tipo de negativa, vale a pena conferir as orientações neste portal de notícias.
Comparativo Ação Previdenciária vs Mandado de Segurança
Para facilitar a sua decisão, preparamos uma tabela que compara as duas principais opções judiciais. Assim, você pode visualizar qual caminho faz mais sentido para a sua situação específica de salário-maternidade indeferido.
| Característica | Ação Previdenciária Comum | Mandado de Segurança |
|---|---|---|
| Objetivo Principal | Discutir o mérito do direito ao benefício. | Corrigir um ato ilegal ou abusivo claro do INSS. |
| Necessidade de Provas | Permite ampla produção de provas (documentos, perícias, testemunhas). | Exige prova pré-constituída. Não permite produção de novas provas. |
| Velocidade | Geralmente mais demorada, pois envolve mais etapas processuais. | Processo muito mais rápido e com decisão liminar em poucos dias. |
| Quando usar? | Casos complexos que precisam provar fatos (ex: vínculo de trabalho, atividade rural). | Casos de ilegalidade evidente (ex: descumprimento de prazo, exigência inconstitucional). |
| Resultado | Concessão do benefício e pagamento dos valores atrasados (retroativos). | Ordem para que o INSS cumpra a lei (ex: analisar o pedido, conceder o benefício). |
Entender essas diferenças é fundamental. A escolha errada pode atrasar a concessão do seu direito ou até mesmo levar a uma nova negativa na justiça.
Por que um advogado especialista faz toda a diferença?
Embora você possa entrar no Juizado Especial Federal sem advogado para causas de até 60 salários mínimos, essa não é a jogada mais inteligente. Ter um advogado especialista em direito previdenciário ao seu lado é o que multiplica suas chances de sucesso.
Um profissional experiente na área saberá exatamente:
- Qual a ação correta para o seu caso específico: Ação Comum ou Mandado de Segurança.
- Quais documentos são realmente indispensáveis para construir um caso sólido.
- Como elaborar os pedidos na petição para garantir não só a concessão do benefício, mas também o pagamento de todo o valor retroativo a que você tem direito.
- Representá-la em audiências e responder a qualquer questionamento técnico do juiz.
Contratar um especialista transforma um processo que seria estressante e confuso em uma jornada com direção e segurança. Isso libera você para focar no que realmente importa: a chegada do seu bebê e o bem-estar da sua família.
A documentação que pode reverter o indeferimento
A força do seu recurso, seja no INSS ou na Justiça, está nos documentos que você apresenta. Ter um salário maternidade indeferido pode ser um sinal de que a prova do seu direito não foi forte o suficiente na primeira análise. Por isso, organizar a papelada certa é a etapa mais crítica para virar esse jogo.
Pense nos seus documentos como as peças de um quebra-cabeça. Cada um conta um pedaço da sua história e, juntos, eles formam a imagem completa do seu direito ao benefício. O analista do INSS ou o juiz precisam ver essa imagem de forma clara, sem deixar nenhuma dúvida no ar.

O checklist essencial para qualquer caso
Não importa o motivo da negativa, existe uma base de documentos que você sempre vai precisar ter em mãos. Eles são sua identificação e a prova do nascimento ou adoção, o ponto de partida de tudo.
- Documento de identificação com foto (RG ou CNH): Dê uma olhada para ver se está atualizado e legível. Uma foto antiga pode gerar complicação.
- CPF: Essencial para te encontrarem no sistema do INSS.
- Certidão de nascimento da criança: Este é o documento principal, o que comprova o motivo do pedido do benefício.
- Termo de guarda ou certidão de adoção: Para os casos de adoção ou guarda judicial para fins de adoção.
Esses são os itens básicos, mas a verdadeira virada de jogo está nos documentos que provam seu vínculo com a Previdência. É aí que a maioria dos problemas acontece.
Documentos para comprovar sua qualidade de segurada
A grande maioria dos casos de salário maternidade indeferido esbarra na famosa "perda da qualidade de segurada". É aqui que você precisa ser estratégica e juntar todas as provas que mostram seu trabalho e suas contribuições.
Veja o que você pode usar para montar sua defesa:
- Carteira de Trabalho (CTPS): Mesmo a digital, ela é a prova principal dos seus empregos com registro.
- Extrato do CNIS: Baixe o seu no portal Meu INSS para checar se todos os seus vínculos e pagamentos estão lá, direitinho.
- Guias da Previdência Social (GPS): Se você é contribuinte individual ou MEI, os carnês pagos são a prova direta das suas contribuições.
- Contratos de prestação de serviços: Para as autônomas, contratos assinados mostram que você estava, sim, trabalhando.
- Recibos de pagamento ou extratos bancários: Eles podem ajudar a mostrar a regularidade dos seus recebimentos e fortalecer seu caso.
Situações especiais exigem provas específicas
Cada caso é um caso, e a documentação precisa refletir isso. Se o seu indeferimento veio por uma situação particular, a atenção aos detalhes nos documentos será sua maior aliada.
Para a trabalhadora rural
Comprovar a atividade no campo é um desafio clássico. Você pode usar:
- Autodeclaração de Segurado Especial: Um formulário específico do próprio INSS.
- Notas fiscais de produtor rural: Em seu nome ou de familiares do mesmo núcleo.
- Contratos de arrendamento, parceria ou comodato rural.
- Ficha de associação em sindicato de trabalhadores rurais.
Em casos de gravidez de risco
Se a sua gravidez exigiu afastamento do trabalho antes do período padrão, laudos e atestados médicos bem detalhados são fundamentais.
Eles precisam especificar o motivo da necessidade do repouso e a data de início recomendada. Isso justifica a antecipação do benefício e evita que o INSS entenda como um afastamento por doença, que é outro benefício completamente diferente.
Se você trabalhou sem registro
Essa é uma situação delicada, mas totalmente reversível com as provas certas. A Justiça do Trabalho costuma proteger a trabalhadora nesses casos. Reúna tudo que puder para construir sua defesa:
- Conversas de WhatsApp ou e-mails com seu chefe falando sobre trabalho.
- Fotos no ambiente de trabalho, talvez com uniforme ou ao lado de colegas.
- Depoimentos de colegas que possam confirmar que você trabalhava lá.
- Recibos de pagamento informais ou até comprovantes de depósito em sua conta.
Receber um "não" do INSS não é o fim da linha. Com a documentação correta em mãos, suas chances de sucesso no recurso administrativo ou em uma ação judicial aumentam drasticamente. Organize tudo com calma e, se sentir que a coisa está complicada, não pense duas vezes antes de procurar um advogado especialista. Ele vai saber analisar seu caso e garantir que nenhuma prova importante fique de fora.
Direitos das seguradas especiais e trabalhadoras rurais
Trabalhadoras do campo, pescadoras artesanais e outras seguradas especiais formam um grupo que, vamos ser sinceros, tem uma luta a mais na hora de comprovar sua atividade. A informalidade e a falta de registros no papel são obstáculos reais, que muitas vezes levam a um salário-maternidade indeferido, mesmo quando a mulher tem todo o direito.
Felizmente, a Previdência Social sabe dessa realidade. Por isso mesmo, ela aceita outras formas de comprovação que vão bem além da carteira de trabalho. O pulo do gato é saber como organizar essa papelada para montar um caso que não deixe margem para dúvidas.
Comprovando a atividade rural para virar o jogo
Quando o INSS diz "não" por falta de comprovação da atividade rural, a estratégia é reunir um conjunto de provas que, juntas, contem a história do seu trabalho. Não adianta procurar um único documento mágico; a força está na combinação de várias evidências.
Hoje, o ponto de partida é a Autodeclaração do Segurado Especial. Esse é um formulário oficial onde você descreve o que fazia e por quanto tempo. Mas atenção: ela sozinha não basta. Precisa ser confirmada por outros documentos.
Para dar peso à sua autodeclaração, você pode (e deve) juntar:
- Contratos: Qualquer acordo de arrendamento, parceria ou comodato rural que você tenha.
- Documentos fiscais: Notas de entrada de mercadorias, como a compra de sementes ou ferramentas, ou notas de venda da sua produção.
- Registros de associações: Um comprovante de que você faz parte de uma cooperativa ou sindicato rural ajuda muito.
- Fichas de atendimento: Sabe aquela ficha no posto de saúde ou na escola do seu filho onde sua profissão está como "lavradora" ou "agricultora"? Isso vale ouro!
A prova testemunhal também é uma ferramenta poderosa. Pessoas que viram você trabalhando no dia a dia, como vizinhos ou até quem comprava sua produção, podem confirmar sua atividade. O depoimento delas é válido tanto no recurso administrativo quanto, se precisar, num processo judicial.
Uma alternativa mais rápida: o acordo com a DPU
Pensando justamente nas dificuldades dessas mulheres, a Defensoria Pública da União (DPU) criou uma saída muito interessante. Mulheres do campo, de comunidades tradicionais, pescadoras artesanais, indígenas e quilombolas podem buscar um acordo direto com o INSS, sem precisar entrar na justiça.
Esse serviço permite que quem teve o salário-maternidade indeferido peça um acordo para garantir o pagamento integral do benefício. É um caminho alternativo, pensado para ser mais ágil e acessível. Para saber os detalhes, confira como fazer um acordo extrajudicial para o salário-maternidade rural.
A página oficial do governo, que você vê na imagem abaixo, explica tudo o que você precisa fazer.
Lá você encontra quem pode pedir, os documentos necessários e o passo a passo para dar entrada no processo de acordo. É uma mão na roda para simplificar o acesso ao benefício.
Como funciona esse acordo na prática
O processo foi desenhado para ser bem direto. A segurada especial que teve o pedido negado procura a DPU, que vai agir como uma intermediária. A Defensoria analisa o seu caso, ajuda a juntar a documentação e faz a proposta de acordo formal para o INSS.
Se o INSS aceitar os termos, o pagamento do benefício é liberado muito mais rápido do que seria por um recurso comum ou uma ação judicial. Essa iniciativa é um reconhecimento claro de que as trabalhadoras rurais têm suas particularidades e precisam de um caminho mais eficiente para garantir a proteção à maternidade.
Perguntas frequentes sobre salário-maternidade indeferido
Receber uma negativa do INSS é frustrante, eu sei. Mas, antes de se desesperar, respire fundo. Reuni aqui as dúvidas que mais ouço de clientes que tiveram o salário-maternidade indeferido. As respostas são diretas e práticas, para te ajudar a entender o que fazer agora.
O que fazer se perdi o prazo de 30 dias para o recurso?
Se você deixou passar o prazo de 30 dias para recorrer no INSS, calma. Nem tudo está perdido. Embora você não possa mais contestar aquela decisão específica pela via administrativa, seu direito ao benefício continua existindo.
Você tem dois caminhos a seguir:
- Fazer um novo requerimento: Sim, você pode simplesmente começar do zero. A grande vantagem é que, desta vez, você já sabe o que deu errado. Junte os documentos que faltaram, corrija os erros de cadastro e faça um novo pedido, mais completo e robusto.
- Entrar com uma ação judicial: Outra opção é levar o caso diretamente para a Justiça. Mesmo sem ter feito o recurso administrativo, um advogado especialista pode entrar com uma ação no Juizado Especial Federal. Lá, um juiz vai analisar seu direito de forma imparcial, sem os vícios do sistema do INSS.
Posso fazer um novo pedido de salário-maternidade se o primeiro foi negado?
Com certeza. Se o seu salário-maternidade foi indeferido, nada te impede de protocolar um novo pedido. Aliás, essa é uma excelente estratégia, principalmente se o motivo da negativa foi algo simples de resolver, como um documento ausente ou uma informação incorreta.
O ponto crucial aqui é: não cometa o mesmo erro duas vezes. A carta de indeferimento que você recebeu é o seu mapa. Ela aponta exatamente o que o INSS considerou errado. Use-a para corrigir o problema antes de submeter a nova solicitação.
Fique atenta: Ao fazer um novo pedido, a data de início do benefício, caso seja concedido, será a data desta nova solicitação. Isso significa que os valores retroativos serão calculados a partir do segundo requerimento, e não daquele primeiro que foi negado.
Quanto custa para entrar com uma ação judicial?
Essa é uma das maiores preocupações, e com razão. A boa notícia é que, na maioria dos casos, entrar na Justiça para garantir seu salário-maternidade pode ter um custo inicial muito baixo, ou até mesmo zero.
A mágica acontece no Juizado Especial Federal (JEF). Para causas de até 60 salários mínimos (o que abrange a grande maioria dos casos de salário-maternidade), não há cobrança de custas processuais na primeira instância. Ou seja, você não paga nada ao tribunal para iniciar o processo.
E os honorários do advogado? A maioria dos especialistas em direito previdenciário trabalha com o chamado contrato de risco ou honorários de êxito. Funciona assim: você só paga um percentual sobre o valor que receber se a causa for ganha. Geralmente, essa porcentagem já é descontada dos valores atrasados que o INSS terá que pagar a você. Simples e justo.
A decisão do STF sobre a carência já vale para todos os casos?
Sim, e essa é uma vitória importante! A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional a exigência de 10 meses de carência para seguradas contribuintes individuais, MEIs e facultativas, já está valendo e o INSS é obrigado a cumpri-la.
Na prática, isso quer dizer que se você é autônoma, por exemplo, o INSS não pode mais negar seu benefício alegando que você não cumpriu a carência.
No entanto, a gente sabe como a máquina pública funciona… O sistema do INSS nem sempre é atualizado na velocidade que deveria, e negativas baseadas nesse motivo indevido ainda acontecem. Se for o seu caso, saiba que suas chances de reverter a decisão, seja no recurso ou na Justiça, são altíssimas, pois a decisão do STF tem força de lei para todos.
Conclusão: Não Desista do Seu Direito
Se você está lidando com um salário-maternidade indeferido e precisa de ajuda para virar o jogo, contar com um suporte especializado faz toda a diferença. Nós, da equipe do Pedro Miguel Law, estamos preparados para analisar seu caso, traçar a melhor estratégia e lutar para que seu direito seja respeitado.
Não deixe que a burocracia te impeça de receber um benefício que é seu.
