Direito do Trabalho

Salário-maternidade para desempregada: quem tem direito, valor, prazo e como pedir

Quando a desempregada mantém o direito ao salário-maternidade, por quanto tempo depois de sair do emprego, como o INSS calcula o valor e onde fazer o pedido.

Por · OAB/SP 120.066 ·

A desempregada tem direito ao salário-maternidade enquanto mantiver a qualidade de segurada do INSS, o chamado período de graça, que dura em regra 12 meses depois da última contribuição (art. 15, II, da Lei 8.213/1991). O benefício é pago pelo próprio INSS por 120 dias (arts. 71 e 73) e não exige número mínimo de contribuições.

Abaixo, o que define o salário-maternidade para desempregada: por quanto tempo o direito continua depois da saída do emprego, como se chega ao valor e como fazer o pedido.

Desempregada tem direito ao salário-maternidade?

Sim, desde que, na data do parto, da adoção ou da guarda para fins de adoção, ela ainda seja segurada do INSS. Quem deixa de trabalhar não perde a proteção na hora: ela continua durante o período de graça, mesmo sem contribuir (art. 15 da Lei 8.213/1991). O Regulamento da Previdência Social diz expressamente que, nesse período, a segurada desempregada recebe o salário-maternidade, pago diretamente pela Previdência Social (Decreto 3.048/1999, art. 97, parágrafo único).

O motivo da saída não muda a regra: pedido de demissão, dispensa por justa causa ou sem justa causa. O que importa é estar dentro do período de graça.

Quanto tempo depois de sair do emprego ainda há direito?

SituaçãoPeríodo de graçaBase legal
Regra geral, depois da última contribuiçãoaté 12 mesesart. 15, II
Mais de 120 contribuições mensais sem perder a qualidade de seguradaaté 24 mesesart. 15, § 1º
Desemprego comprovado por registro no órgão próprio do Ministério do Trabalhomais 12 meses sobre o prazo anteriorart. 15, § 2º

Somando as duas extensões, o prazo pode chegar a 36 meses. A perda da qualidade de segurada só acontece depois do vencimento da contribuição do mês seguinte ao fim do prazo (art. 15, § 4º), o que dá alguns dias a mais. Quem não se encaixa e já perdeu a qualidade de segurada pode voltar a contribuir, como facultativa ou contribuinte individual, antes do parto.

Precisa ter um número mínimo de contribuições?

Não. A Lei 8.213/1991 ainda traz no texto uma carência de 10 contribuições para contribuinte individual, facultativa e segurada especial (art. 25, III), mas o Supremo Tribunal Federal declarou essa exigência inconstitucional nas ADIs 2.110 e 2.111. Cumprindo a decisão, o INSS informa que a carência é isenta para todas as categorias desde a Instrução Normativa 188/2025. Basta comprovar a qualidade de segurada.

Qual é o valor do salário-maternidade da desempregada?

É um doze avos da soma dos 12 últimos salários de contribuição, apurados em um período de no máximo 15 meses (art. 73, III, da Lei 8.213/1991). Nunca é menor que um salário mínimo (art. 73, caput), e o salário de contribuição tem como limite o teto do INSS. Quem ganhava acima do teto quando estava empregada recebe, portanto, menos do que o último salário.

Por quanto tempo o benefício é pago?

FatoDuraçãoBase legal
Parto, inclusive de natimorto120 diasart. 71
Adoção ou guarda judicial para fins de adoção120 diasart. 71-A
Aborto não criminoso14 diasorientação do INSS

Como a desempregada pede o salário-maternidade?

O pedido é feito no INSS, e não em empresa: pelo site ou aplicativo Meu INSS, ou pelo telefone 135. Segundo o INSS, a desempregada pede a partir do parto, com a certidão de nascimento; na adoção, com o termo de guarda ou a nova certidão. Ajuda ter à mão a carteira de trabalho e os comprovantes das últimas contribuições, porque é por eles que se prova o período de graça.

Perguntas frequentes

Fui demitida sem justa causa grávida. Recebo salário-maternidade do INSS?

Antes disso, a gestante tem estabilidade no emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses depois do parto (ADCT, art. 10, II, b). A dispensa sem justa causa nesse período pode ser discutida com o empregador, na Justiça do Trabalho, por reintegração ou indenização. Vale avaliar as duas frentes antes de pedir o benefício.

Pedi demissão grávida. Perco o direito?

Não ao salário-maternidade, se o parto acontecer dentro do período de graça. O benefício é pago pelo INSS (Decreto 3.048/1999, art. 97, parágrafo único).

Engravidei depois de sair do emprego. Tenho direito?

Sim. A lei não exige que a gravidez tenha começado durante o emprego: o que conta é ainda ser segurada na data do parto (art. 15 da Lei 8.213/1991 e art. 97, parágrafo único, do Decreto 3.048/1999).

O INSS negou o pedido. O que fazer?

Cabe recurso administrativo ou ação na Justiça Federal. O motivo mais comum é a dúvida sobre a qualidade de segurada, que se resolve com prova do último vínculo e, se for o caso, do registro do desemprego. Veja o guia sobre salário-maternidade indeferido.

Fale com um advogado

Cada caso depende das datas da última contribuição, do parto e do registro de desemprego. Agende uma conversa com um advogado ou fale pelo WhatsApp. Veja também a nossa atuação em Direito Previdenciário e o guia sobre pensão por morte.

Fontes: Lei 8.213/1991, arts. 15, 25, 71, 71-A e 73; Decreto 3.048/1999, art. 97; Constituição, ADCT, art. 10, II, b; INSS, salário-maternidade. Conteúdo informativo; não substitui a análise do caso concreto.

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