Quando um familiar falece, além do luto, surge a necessidade de organizar o patrimônio deixado. Mas como funciona o inventário de bens na prática? Pense nele como a chave que abre a porta de uma casa trancada, permitindo que tudo seja organizado, avaliado e, finalmente, entregue aos herdeiros de forma legal e segura.
Este é o procedimento obrigatório para oficializar a transferência de bens, direitos e até dívidas para os sucessores. Sem ele, o patrimônio fica "congelado", e nada pode ser vendido ou transferido. Entender o processo é o primeiro passo para garantir a tranquilidade da sua família.
Acesso Rápido
- O que é um inventário de bens e por que ele é essencial?
- Inventário judicial ou extrajudicial: qual é o caminho certo?
- O passo a passo de como funciona um inventário de bens na prática
- Custos e impostos: o que você precisa saber sobre o inventário de bens
- Dúvidas frequentes sobre como funciona o inventário de bens
- Conclusão
O que é um inventário de bens e por que ele é essencial?
O inventário é muito mais que um amontoado de papéis. É a ferramenta legal que garante a continuidade do legado de uma família. Sem ele, é impossível vender um imóvel, sacar dinheiro de uma conta bancária ou transferir a propriedade de um carro.

Na prática, entender como funciona o inventário de bens é crucial para não deixar os ativos se desvalorizarem ou gerarem custos desnecessários, como multas por atraso no início do processo. Ele assegura que tudo seja listado e avaliado corretamente e que qualquer dívida existente seja paga com o próprio patrimônio antes da partilha.
A função protetora do inventário
Muitos associam o inventário apenas a custos e demora, mas seu papel principal é, na verdade, proteger. Ele formaliza a sucessão e evita brigas futuras entre os herdeiros, pois estabelece regras claras para a divisão do patrimônio.
A ausência desse processo cria um verdadeiro limbo jurídico. Um imóvel, por exemplo, não pode ser vendido ou alugado oficialmente, porque legalmente ainda pertence a quem já se foi. Isso não só impede que o bem gere renda, mas também pode criar problemas com impostos e manutenção.
O inventário é a base da segurança jurídica para os herdeiros. Ele transforma a posse informal em propriedade legal, garantindo que cada um receba o que lhe é de direito sem contestações futuras.
Sendo assim, o inventário serve para:
- Regularizar o patrimônio: Transfere a propriedade de imóveis, veículos e outros bens para o nome dos herdeiros.
- Quitar dívidas: Usa os bens do espólio para pagar credores, blindando o patrimônio pessoal dos herdeiros de cobranças.
- Prevenir conflitos: Define uma partilha justa e legal, seja por acordo ou decisão judicial, minimizando desentendimentos familiares.
- Permitir o acesso a recursos: Libera valores em contas bancárias, investimentos e outros ativos financeiros que ficariam simplesmente bloqueados.
Em resumo, dar início ao inventário é um passo indispensável para honrar o legado deixado e garantir que os bens cumpram seu propósito de beneficiar a próxima geração. Deixar para depois significa criar uma bola de neve financeira e legal que só se torna mais complexa e cara com o tempo.
Inventário judicial ou extrajudicial: qual é o caminho certo?
Uma das primeiras dúvidas que surgem é sobre qual caminho seguir: o judicial ou o extrajudicial? A verdade é que não é uma escolha, mas uma definição que depende da situação da família.
Entender essa diferença é o primeiro passo para garantir que o processo seja o mais rápido e menos custoso possível.
A rota extrajudicial, feita em cartório, é como uma "via expressa": mais ágil e econômica. Já o caminho judicial corre na Justiça e é a única opção para casos complexos ou com conflitos.
O caminho rápido do inventário extrajudicial
Pense no inventário extrajudicial como um grande acordo de família, formalizado em cartório. É a solução perfeita quando todos estão na mesma página e a situação se encaixa em alguns pré-requisitos claros.
Para que essa opção seja viável, todas as condições abaixo precisam ser cumpridas:
- Consenso total: Todos os herdeiros devem estar em pleno acordo sobre como os bens serão divididos.
- Herdeiros capazes: Não pode haver herdeiros menores de idade ou pessoas consideradas incapazes pela lei.
- Ausência de testamento: O falecido não pode ter deixado um testamento.
Se a sua família se encaixa nesse cenário, o processo termina com uma Escritura Pública de Inventário. Esse documento tem a mesma força de uma sentença judicial e serve para transferir a propriedade dos bens.
Quando o inventário judicial é obrigatório
Se qualquer um dos requisitos para a via extrajudicial não for atendido, o caminho judicial se torna obrigatório. Ele foi desenhado para proteger os interesses de todos e para resolver qualquer briga sob a supervisão de um juiz.
As situações que sempre levam ao inventário judicial são:
- Existência de herdeiros menores ou incapazes: A lei exige a presença do Ministério Público para fiscalizar o processo.
- Desacordo entre os herdeiros: Basta um não concordar com a partilha para que um juiz precise intervir.
- Presença de um testamento: O testamento precisa ser aberto e confirmado na Justiça.
Apesar de ser um caminho mais longo, o processo judicial oferece uma estrutura segura para resolver impasses. Entender como funciona o inventário de bens em cada modalidade é o que vai definir o sucesso do processo.
O passo a passo de como funciona um inventário de bens na prática
Encarar um inventário pode parecer uma montanha de burocracia, mas é um caminho com etapas claras. Entender como funciona o inventário de bens na prática é como ter um mapa em mãos: você sabe para onde está indo.
O roteiro, seja judicial ou extrajudicial, segue uma lógica simples: nomear o responsável, listar os bens e dívidas, pagar os impostos e, por fim, transferir o patrimônio.
Para começar, o infográfico abaixo mostra o primeiro ponto de decisão dessa jornada.

Como o diagrama deixa claro, a escolha entre o caminho extrajudicial (mais rápido, no cartório) e o judicial não é uma questão de preferência, mas uma consequência das circunstâncias da família. Vamos mergulhar em cada etapa.
1. Contratação de advogado e nomeação do inventariante
O primeiro passo é contratar um advogado especialista. A lei exige a presença de um advogado em qualquer modalidade de inventário. Pense nesse profissional como o capitão do navio, guiando a família por águas que podem ser turbulentas.
Logo em seguida, os herdeiros definem o inventariante. Essa pessoa será a administradora do patrimônio (o "espólio") durante o processo. Geralmente, o papel fica com o cônjuge ou um dos filhos.
2. Levantamento completo de bens e dívidas
Com o inventariante definido, começa a fase de investigação. É hora de colocar tudo na ponta do lápis: o que a pessoa falecida possuía e o que ela devia.
A lista é abrangente e inclui:
- Bens imóveis: Casas, apartamentos, terrenos, fazendas.
- Bens móveis: Carros, motos, joias, obras de arte.
- Ativos financeiros: Saldos em contas, investimentos, ações.
- Direitos: Valores a receber ou participações em empresas.
- Dívidas: Empréstimos, financiamentos, faturas de cartão de crédito.
Essa etapa é crucial para ter uma fotografia fiel do patrimônio real que será partilhado.
3. Avaliação dos bens e cálculo do ITCMD
Depois de listar tudo, é preciso dar um valor a cada item. No caso de imóveis, o valor venal (usado para o cálculo do IPTU) costuma ser a base para o imposto.
Com o valor total do patrimônio em mãos, calcula-se o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). A alíquota varia de estado para estado, ficando geralmente entre 4% e 8% sobre o valor total dos bens. O pagamento do ITCMD é obrigatório para que o inventário possa seguir para a sua fase final.
4. Apresentação das primeiras declarações e plano de partilha
Nesta fase, seu advogado redige os documentos iniciais do inventário. É a lista oficial com os dados do falecido, dos herdeiros, e de todos os bens e dívidas.
Em seguida, vem o plano de partilha, o documento que desenha como a herança será dividida. Se todos concordarem, o processo flui muito mais rápido. Caso contrário, caberá ao juiz decidir como será feita a divisão.
Essa mesma lógica de organização patrimonial se aplica ao mundo corporativo. Empresas precisam de um inventário de ativos para garantir a conformidade contábil. Se você quer entender mais sobre isso, aprenda como regularizar os ativos da sua empresa.
5. Emissão do documento final e registro dos bens
Finalmente, com os impostos pagos e a partilha aprovada, o processo chega ao fim.
- No inventário judicial, o juiz expede o Formal de Partilha.
- No inventário extrajudicial, o cartório emite a Escritura Pública de Inventário.
De posse de um desses documentos, os herdeiros podem, enfim, ir ao cartório de registro de imóveis, ao DETRAN e aos bancos para transferir a propriedade dos bens para seus nomes.
Custos e impostos: o que você precisa saber sobre o inventário de bens
Entender a parte financeira do inventário transforma um processo estressante em algo planejado. Saber na prática como funciona o inventário de bens do ponto de vista dos custos evita surpresas e atrasos.
A chave para um processo ágil é a organização. O primeiro passo é reunir toda a papelada.
O checklist de documentos necessários
Ter estes papéis em mãos desde o começo acelera muito o trabalho do seu advogado.
1. Documentos da pessoa falecida:
- Certidão de óbito
- RG e CPF
- Certidão de casamento ou união estável (atualizada)
- Comprovante de residência
2. Documentos dos herdeiros:
- RG e CPF de todos (e cônjuges, se casados)
- Certidões de nascimento ou casamento (atualizadas)
- Comprovante de residência de cada herdeiro
3. Documentos dos bens e dívidas:
- Imóveis: Matrículas atualizadas e certidão negativa de débitos de IPTU.
- Veículos: Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV).
- Contas e investimentos: Extratos bancários recentes.
- Empresas: Contrato social e certidão da junta comercial.
- Dívidas: Contratos de financiamento e outras comprovações.
Desvendando os custos do inventário
O custo total de um inventário pode variar, mas geralmente fica em torno de 10% a 20% do valor total do patrimônio. Basicamente, esse valor é a soma de três despesas: o imposto, as custas do processo, e os honorários do advogado.
O imposto ITCMD
O Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) é a despesa mais pesada. É um imposto estadual com alíquotas que variam de 4% a 8% sobre o valor total dos bens.
Fique atento ao prazo para pagar o ITCMD, que costuma ser de até 180 dias após o falecimento. Atrasar o pagamento gera multas e juros.
Custas judiciais ou de cartório
No inventário judicial, há custas processuais calculadas sobre o valor do patrimônio. No extrajudicial, pagam-se os emolumentos do cartório, que costumam ser mais em conta.
Honorários do advogado
A presença de um advogado é obrigatória. Os honorários, na maioria das vezes, são calculados como uma porcentagem sobre o valor do patrimônio, usando a tabela da OAB como referência.
A precisão no levantamento de bens é crucial. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) conseguiu apurar 96,81% de seus bens em um inventário recente, um princípio que vale ouro também para o planejamento sucessório da sua família. Você pode ver mais sobre os resultados impressionantes deste levantamento patrimonial aqui.
Dúvidas frequentes sobre como funciona o inventário de bens
Mesmo após entender o processo, é normal ter dúvidas específicas. Juntei aqui as perguntas mais comuns para ajudar a esclarecer como funciona o inventário de bens em situações práticas.
O que acontece se o inventário não for feito no prazo?
Não dar entrada no inventário em até 60 dias após o falecimento gera multa sobre o imposto (ITCMD). Além disso, os bens ficam "congelados", impedindo que sejam vendidos ou transferidos legalmente.
É possível vender um imóvel antes de terminar o inventário?
Sim, mas não é simples. É possível através de um Alvará Judicial, uma autorização do juiz para vender um bem específico (geralmente para pagar dívidas ou custos do processo), ou por meio de uma Cessão de Direitos Hereditários, onde um herdeiro vende sua parte da herança.
Quanto tempo demora um processo de inventário?
Depende do tipo. O inventário extrajudicial em cartório é rápido, podendo ser finalizado em semanas ou meses. Já o inventário judicial é mais demorado, levando de um a vários anos, dependendo da complexidade do caso e de eventuais desacordos.
Quem paga as dívidas do falecido?
As dívidas são pagas com o patrimônio deixado, o espólio. Os herdeiros não respondem com seus próprios bens. Se as dívidas forem maiores que o patrimônio, os credores recebem até o limite do que há disponível e os herdeiros não herdam o prejuízo.
Conclusão
Entender os detalhes sobre como funciona o inventário de bens é o primeiro passo para passar por essa fase de forma mais tranquila e segura. Com o advogado certo ao seu lado, você navega por cada etapa com confiança, protegendo tanto o patrimônio quanto a harmonia da sua família.
A assessoria jurídica especializada não é apenas uma exigência legal, mas um investimento na proteção do seu legado. Se você precisa de orientação para iniciar ou dar andamento a um processo de inventário, a Pedro Miguel Law está pronta para oferecer o suporte especializado que você precisa.
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