Estabilidade após Afastamento INSS: Guia Completo 2024 - Pedro Miguel Law
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Direito Empresarial

Estabilidade após Afastamento INSS: Guia Completo 2024

Entenda a estabilidade após afastamento INSS. Saiba quem tem direito, os prazos e como agir se for demitido durante o período de proteção.

Pedro Miguel 06/02/2026

Voltar ao trabalho após um problema de saúde é um momento delicado. Imagine, então, ser surpreendido com uma demissão justamente nessa fase de vulnerabilidade. É para evitar essa situação que a lei prevê a estabilidade após afastamento INSS, uma proteção essencial que garante seu emprego.

Basicamente, essa segurança impede a demissão sem justa causa por 12 meses após o retorno. Contudo, é crucial entender que ela não se aplica a todos os casos. A estabilidade está diretamente ligada a afastamentos por acidente de trabalho ou doença ocupacional. Este guia completo explicará todos os seus direitos.

O que é a estabilidade provisória no emprego?

A estabilidade provisória funciona como um escudo legal temporário. Durante um período determinado, a empresa fica proibida de demitir o funcionário sem um motivo grave, como uma justa causa comprovada.

Essa proteção foi criada para amparar o trabalhador em um momento de fragilidade, assegurando que ele tenha tempo para se readaptar ao trabalho sem o medo constante da demissão.

Homem entrega documento com o logo do INSS a uma mulher, com texto "Estabilidade PROVISÓRIA" na parede roxa.
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No Brasil, a estabilidade após afastamento INSS é um direito previsto no artigo 118 da Lei nº 8.213/1991. A legislação é clara: quem sofreu um acidente de trabalho ou desenvolveu uma doença ligada à profissão tem a manutenção do contrato garantida por, no mínimo, 12 meses após receber alta médica. Você pode conferir mais detalhes sobre essa proteção legal no site oficial do governo.

Quem realmente tem direito a essa proteção

A chave para entender quem está protegido é a origem do afastamento. Não é qualquer licença médica que gera estabilidade, mas sim aquela que tem uma ligação direta com as suas atividades profissionais.

Para ter direito, o trabalhador precisa cumprir dois critérios essenciais:

  • Afastamento superior a 15 dias: A licença médica precisa ultrapassar 15 dias consecutivos. A partir do 16º dia, a responsabilidade pelo pagamento do benefício passa do empregador para o INSS.
  • Recebimento de auxílio-doença acidentário (B91): O INSS precisa reconhecer oficialmente que sua incapacidade foi causada por um acidente de trabalho ou doença ocupacional. Quando isso acontece, ele concede o benefício de código B91.

Em outras palavras, a estabilidade não vem do afastamento em si, mas do reconhecimento de que o problema de saúde foi causado pelo trabalho. É essa distinção que faz toda a diferença. Se o benefício concedido pelo INSS for o auxílio-doença comum (código B31), infelizmente a proteção não se aplica.

Auxílio-doença comum ou acidentário: qual a diferença?

Muitos trabalhadores desconhecem, mas o tipo de benefício concedido pelo INSS é o que define se você terá ou não estabilidade no emprego ao retornar. Entender essa diferença é fundamental para conhecer seus direitos, e a origem do problema de saúde dita as regras do jogo.

Pense assim: o auxílio-doença comum (código B31) é como uma pneumonia forte que você pega sem nenhuma relação com o trabalho. Já o auxílio-doença acidentário (código B91) é como uma lesão na coluna que surgiu de tanto carregar peso na empresa. O primeiro não garante estabilidade; o segundo, sim.

Essa distinção é crucial, pois a estabilidade após afastamento INSS só existe quando fica provado que o trabalho causou ou agravou sua condição de saúde.

Entendendo o auxílio-doença comum (B31)

O auxílio-doença comum, identificado pelo código B31, é concedido quando um funcionário precisa se afastar por mais de 15 dias devido a uma doença ou acidente que não tem relação com suas atividades profissionais.

Exemplos comuns incluem:

  • Uma cirurgia de apendicite de emergência.
  • Uma queda em casa que resultou em fratura.
  • Uma gripe forte ou outra virose não contraída no ambiente de trabalho.

Nesses casos, embora o contrato de trabalho fique suspenso durante o afastamento, o empregador não é obrigado a manter seu emprego após a alta. Assim que o INSS libera o seu retorno, a empresa pode realizar a demissão, desde que pague todos os direitos rescisórios corretamente.

O que define o auxílio-doença acidentário (B91)

Do outro lado, temos o auxílio-doença acidentário (B91). É este benefício que garante a tão falada estabilidade após afastamento INSS.

Ele é concedido quando a sua incapacidade para o trabalho é resultado direto de:

  • Acidente de trabalho típico: Aquele que acontece durante a execução das tarefas na empresa, como um corte ou uma queda.
  • Doença ocupacional: Aquela que se desenvolve ao longo do tempo devido às condições de trabalho, como LER/DORT (Lesão por Esforço Repetitivo) ou até mesmo burnout.
  • Acidente de trajeto: O famoso acidente que ocorre no percurso de casa para o trabalho ou vice-versa.

Quando o INSS reconhece essa ligação, o benefício B91 é concedido e, com ele, nasce o seu direito à estabilidade provisória de 12 meses após a alta médica. A emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) pela empresa é um passo importante, mas não é o único meio de comprovar o nexo causal.

Comparativo: Auxílio-Doença Comum vs. Acidentário

Para visualizar melhor, veja a tabela abaixo com as principais diferenças e como cada benefício afeta seus direitos.

Critério Auxílio-Doença Comum (B31) Auxílio-Doença Acidentário (B91)
Origem do Afastamento Doença ou acidente sem relação com o trabalho. Acidente de trabalho, doença ocupacional ou acidente de trajeto.
Estabilidade no Emprego Não garante estabilidade após a alta do INSS. Garante estabilidade de 12 meses após o retorno ao trabalho.
Depósito do FGTS O empregador não é obrigado a depositar o FGTS durante o afastamento. O empregador é obrigado a continuar depositando o FGTS normalmente.
Carência do INSS Exige contribuição mínima de 12 meses (salvo exceções). Não exige carência. O direito existe a partir do primeiro dia de trabalho.

Como você pode ver, a principal diferença não está na gravidade da doença, mas sim na sua causa. Uma condição de saúde mais simples, mas que foi causada pelo trabalho (B91), te dá direito à estabilidade, enquanto uma doença muito mais grave, mas sem ligação com a empresa (B31), não oferece essa mesma proteção.

Como garantir sua estabilidade após afastamento pelo INSS

Ter o emprego garantido depois de um período afastado não é automático. A estabilidade após afastamento pelo INSS depende de alguns requisitos bem específicos, e entendê-los é o primeiro passo para proteger seu cargo. Pense nisso como um checklist: se todos os itens forem cumpridos, você está seguro.

Nosso objetivo é mostrar exatamente o que você precisa verificar e quais documentos deve guardar. Com isso em mãos, você evita surpresas desagradáveis e sabe como agir caso seus direitos não sejam respeitados.

O infográfico abaixo resume de forma visual o ponto principal para saber se você tem direito à estabilidade: a causa do seu afastamento.

Árvore de decisão sobre estabilidade após afastamento do trabalho: comum resulta em sem estabilidade, acidente em com estabilidade.
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Como a imagem deixa claro, a origem do problema de saúde é o que realmente define se você terá ou não estabilidade ao retornar.

O checklist essencial para sua proteção

Para não restar nenhuma dúvida, montamos uma lista com os pontos que você precisa checar para ter certeza de que sua estabilidade após afastamento pelo INSS está garantida.

  1. Afastamento superior a 15 dias: A proteção só existe para licenças médicas que ultrapassam 15 dias consecutivos. É a partir do 16º dia que o pagamento deixa de ser da empresa e passa a ser responsabilidade do INSS.

  2. Recebimento do benefício correto (B91): Este é, sem dúvida, o ponto mais importante. Você precisa confirmar na carta de concessão do INSS se o benefício recebido foi o auxílio-doença acidentário, que tem o código B91. Se o código for B31 (auxílio-doença comum), a estabilidade não se aplica.

  3. Alta médica oficial do INSS: O prazo de 12 meses de estabilidade não começa a contar do dia em que você se sente melhor para voltar. Ele só inicia a partir da data oficial da alta médica, aquela que o perito do INSS emite autorizando seu retorno ao trabalho.

É fundamental guardar todos os documentos ligados a esses três pontos. Eles são a prova de que você cumpre o que a lei exige.

O papel do nexo técnico epidemiológico (NTEP)

Às vezes, provar que uma doença foi causada ou agravada pelo trabalho é um desafio. Para ajudar nessa hora, o INSS usa uma ferramenta chamada Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP).

O NTEP, em termos simples, é um sistema que cruza dados estatísticos para ver se certas doenças são muito comuns em determinadas profissões. Se a sua doença aparece com frequência na sua área de atuação, o INSS pode presumir que ela tem relação com o trabalho, facilitando a concessão do benefício B91.

Na prática, isso quer dizer que, mesmo que a empresa não tenha emitido a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), o INSS pode reconhecer seu direito à estabilidade. Saber disso te dá mais uma carta na manga para garantir sua proteção.

O que a empresa precisa fazer no seu retorno ao trabalho

Quando um funcionário volta de um afastamento médico, a empresa tem responsabilidades que vão muito além de simplesmente devolver a antiga mesa de trabalho. A reintegração precisa ser segura e bem documentada. É um dever legal que protege tanto você, o colaborador, quanto o próprio negócio.

Pular essas etapas pode abrir portas para novos problemas de saúde e até processos judiciais. Por isso, esse momento não é apenas uma formalidade, mas uma peça-chave para garantir que sua volta seja sustentável e segura.

O exame médico de retorno é obrigatório

O primeiro passo, e um dos mais importantes, é a realização do exame médico de retorno ao trabalho. Esse procedimento é uma exigência legal para todo funcionário que ficou afastado por 30 dias ou mais, independentemente do motivo do afastamento.

O objetivo é claro: avaliar se você está realmente apto para voltar às suas funções. E um detalhe importante: ele deve ser feito antes de você reassumir suas atividades.

Um médico do trabalho vai analisar sua condição atual e emitir o Atestado de Saúde Ocupacional (ASO). É esse documento que oficializa se você está "apto", "apto com restrições" ou "inapto" para retornar, sendo uma segurança jurídica para todos.

Adaptando a função e o ambiente de trabalho

E se o ASO indicar que você está "apto com restrições"? A responsabilidade é da empresa. Ela tem o dever de adaptar sua rotina. Ignorar as recomendações médicas é uma falha grave, e a estabilidade após afastamento INSS existe justamente para garantir não só o emprego, mas uma recuperação completa.

Essas adaptações podem ser de vários tipos:

  • Readequação de tarefas: Se o problema foi uma lesão por esforço, por exemplo, a empresa deve evitar que você realize atividades que possam causar o mesmo problema de novo.
  • Mudanças no ambiente: Fornecer equipamentos ergonômicos, como uma cadeira adequada ou um apoio para os pulsos, pode fazer toda a diferença para evitar o agravamento da sua condição.
  • Readaptação profissional: Nos casos mais sérios, pode ser necessário te realocar para uma função completamente nova, que seja compatível com sua capacidade física e mental atual.

Um retorno bem gerenciado mostra o compromisso da empresa com a saúde da equipe e fortalece a relação de confiança.

E se a empresa me demitir durante a estabilidade?

Ser dispensado justo no período em que a lei te protege é uma situação gravíssima e, na esmagadora maioria dos casos, ilegal. A única exceção é a demissão por justa causa. Fora isso, a empresa simplesmente não pode demitir um funcionário que tem a estabilidade após afastamento pelo INSS.

Se isso aconteceu com você, a primeira e mais crucial orientação é: não assine absolutamente nada. Não assine a rescisão, não dê o seu "de acordo". Agir no calor do momento ou por falta de informação pode complicar, e muito, a sua defesa depois.

Dois homens em coletes de segurança conversam e consultam documentos, um deles olhando um smartphone, com a frase "PROCURE ADVOGADO".
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Uma demissão durante o período de estabilidade é vista como nula pela justiça. Isso significa que o seu principal direito é pedir para voltar imediatamente ao seu posto de trabalho, exatamente nas mesmas condições de antes.

Seus direitos em caso de demissão ilegal

Quando você é demitido de forma indevida, a legislação trabalhista abre dois caminhos principais para corrigir esse erro. A escolha entre um e outro vai depender muito do seu caso específico e se ainda existe um clima viável para retornar à empresa.

As suas opções são:

  • Reintegração ao cargo: É o seu direito de ser readmitido. Além disso, a empresa terá que pagar todos os salários, férias, 13º e outros benefícios que você deixou de receber enquanto esteve afastado ilegalmente.
  • Indenização substitutiva: Às vezes, voltar para a empresa não é a melhor saída, principalmente se o ambiente de trabalho ficou hostil. Nesses casos, a justiça pode obrigar a empresa a pagar uma indenização. Esse valor cobre tudo o que você receberia até o final do período de estabilidade: salários, férias, 13º salário e FGTS.

A importância de provar o seu direito

Para fazer valer a lei, você precisa ter tudo documentado. Guarde laudos médicos, exames e, o mais importante de todos, a carta de concessão do benefício B91 do INSS. Esses documentos são a sua principal linha de defesa.

O entendimento sobre isso já está bem consolidado no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A Súmula 378, por exemplo, é clara ao dizer que a estabilidade é garantida mesmo que a doença ocupacional só seja diagnosticada depois da demissão, contanto que exista uma ligação com o trabalho executado. Se quiser entender melhor como até transtornos mentais podem gerar esse direito, vale a pena conferir as informações no portal do Governo Federal.

Demissões feitas de forma irregular não resultam apenas na reintegração ou no pagamento dos salários devidos. Muitas vezes, a justiça também condena a empresa a pagar indenizações por danos morais, o que mostra o quão sério o Judiciário encara essas situações.

Perguntas frequentes sobre a estabilidade no emprego

Para fechar nosso guia, vamos direto ao ponto e responder às dúvidas que mais aparecem sobre a estabilidade após afastamento INSS. São questões do dia a dia, que geram muita confusão tanto para os trabalhadores quanto para as empresas. A ideia aqui é ser objetivo e te ajudar a entender seus direitos e como agir na prática.

A estabilidade de 12 meses vale para contrato de experiência?

Sim, vale! Pode parecer estranho à primeira vista, mas o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já bateu o martelo sobre isso na Súmula 378. O entendimento é que a proteção à saúde e à recuperação do trabalhador se sobrepõe à natureza temporária do contrato de experiência.

Portanto, se você sofrer um acidente de trabalho e receber o auxílio-doença acidentário (B91) durante o período de experiência, a empresa deve garantir seu emprego por 12 meses após a alta.

O que fazer se a empresa não emitir a CAT?

A emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é uma responsabilidade da empresa. Se ela se recusar, você não fica desprotegido. A lei permite que outras pessoas emitam o documento, como:

  • O próprio trabalhador acidentado.
  • Seus dependentes.
  • O sindicato da sua categoria.
  • O médico que fez o primeiro atendimento.
  • Qualquer autoridade pública.

Uma dica importante: A falta da CAT emitida pela empresa não anula seu direito. Você pode usar outros meios para provar que seu problema de saúde tem a ver com o trabalho, como laudos, exames e até testemunhas.

Afastamento por burnout ou depressão gera estabilidade?

Pode gerar, sim. Problemas de saúde mental, como burnout e depressão, garantem a estabilidade após afastamento INSS se for comprovado que a doença foi causada ou agravada pelo trabalho. O perito do INSS analisará a conexão entre a condição e o ambiente profissional. Se o nexo for confirmado, o benefício liberado será o acidentário (código B91), garantindo a estabilidade de 12 meses após o retorno.

Posso pedir demissão durante o período de estabilidade?

Sim, você pode. A estabilidade é um direito seu, não uma obrigação. Ao pedir demissão, você abre mão do restante do período de proteção e não receberá indenização por isso. Para garantir a segurança jurídica, é recomendável que o pedido de rescisão seja formalizado com a assistência do sindicato da sua categoria, evitando alegações futuras de que você foi forçado a pedir as contas.

A legislação sobre estabilidade pode mudar?

Com certeza. As leis trabalhistas estão sempre em evolução. Existem projetos de lei em discussão que buscam ampliar as regras da estabilidade após afastamento INSS. Um exemplo é um texto que propõe estender a proteção para afastamentos por doenças comuns, com tempo de estabilidade proporcional ao tempo de afastamento. Você pode ler mais sobre essa proposta no portal da Câmara dos Deputados. Isso mostra que os direitos dos trabalhadores estão sempre em pauta.


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